terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Colorir

Todas as manhãs levanta, atordoada, de alma pesada se arrasta pelos corredores da casa. Procura o pó de café no armário, prepara, e senta-se sobre a mesa. 
Por um segundo se deixa adormecer, e se perder entre seus pensamentos. [...]
É uma tarde chuvosa, ela segue por um caminho cujo destino não sabe qual. Caminha olhando pro chão e cada gota de chuva que cai. Conta cada gota, procura um significado. Seria o choro dos céus? O choro de Deus? O choro de famílias, mendigos nas ruas, viciados, homens sem esperança, abandonos? 


Segue calmamente pelas esquinas, mas não troca olhares com ninguém. Compara seus dias a um amontoado de névoa e cinza.
Passa em frente a porta de um restaurante, e percebe um cheiro familiar.
Doce, entorpecente, alucinante. Um cheiro como nenhum outro é parecido. Viaja pelo mundo todo em um aroma... E de repente o gosto amargo, o nó, o aperto. É onde ele está. Com seu casaco verde, como os olhos. Do outro lado do vidro ela se sente sem reação. Quer correr, dobrar a esquina e nunca mais olhar pra trás. Mas não se move. 

- Por onde anda? - Ele solta um sorriso irônico.
- Por ai...  

Sai novamente em caminhada, enchendo de cor e contraste o cinza, daquele dia. 
E parou de chover. 
O céu parou de chorar, e o sol apareceu. 
De repente era agradável viver. 
Num suspiro ela deseja andar... não por ai, mas por onde ele estiver.

"Ando sentindo sua falta"... - dá um gole no café, se levanta da mesa.
E volta pra cama. 

2 comentários:

  1. Respostas
    1. awwwn, valeu mesmo amor pela força! faça logo mais textos no seu pra eu me divertir também rs

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